quarta-feira, 3 de agosto de 2011

domingo, 1 de maio de 2011

Dia normal, sentimentos normais, batidas normais, acontecimentos corriqueiros...
O cair da tarde, visto da janela de um ônibus foi graciosamente estranho, talvez triste, sem necessariamente causar tristeza. Era como um daqueles dias que despertam o lado criativo das pessoas, daqueles em que escritores e compositores vêm à tona com a sua arte, puxados pela força da inspiração.
Era cinza, sem forma, sem calor, mas estava tudo tão fascinante, dividindo com uma simetria singular, a razão da insanidade; o escuro do claro; o doente do são. O claro era tão tangível, tão próximo, talvez pudesse tocá-lo com um simples estender das mãos, mas o conforto obsceno do cinza me fazia poupar o esforço.
Visivelmente era um dia comum. As pessoas estavam lá, mas não estavam vivas ou conscientes, estavam apenas encaixadas na paisagem, como engrenagens que garantem o funcionamento de uma máquina qualquer.
Emprestadas ao ambiente.
Coadjuvantes.
 Não, isso não, pois essa descrição as torna ativas demais. Talvez descrevê-las como figurantes seja capaz de mostrar tamanha apatia que elas representavam. Mentes frias, corações vazios.
Talvez em outro momento isso fosse triste, agonizante, deprimente. Não hoje. Hoje, foi o oposto de tudo isso, sentimentos estranhos aflorados em um dia normal.
Engana-se quem disse que a monotonia nada tem de belo ou avassalador.
Registro aqui, 25/04/2011 talvez algum dia a sensação volte ao meu corpo, à minha mente e me faça lembrar.

Hugo Luz

quarta-feira, 16 de março de 2011

Se nos compete...


 

De dentro eu vi o abrir do triângulo da manhã

Caminhava dentro das esferas
E da faca amolada que cortou a sola
Surgindo, de dentro o trinar do trigo
Pra esmola que, pouca, caiu em mãos erradas

De olhos pro chão e cabeça desatenta
O arado ali caído, em vão cai em série
Cai o ciclo que não se obteve em desuso
Pelo olho que, dignamente, olhou com astúcia

Pelas pernas e pelo câmbio trocamos notas
Não pela janela ou greta que se enxerga
O triângulo luminoso que vem de lá
Castrando e relevando toda a competência
Zelado pelos que o atentam, de manhã

E vem cabroso e sublime
Nas entradas que o permitem passar
Pela manhã escura e fria
Das pedras amassadas e sôfregas que o caminho pôs
Desfeitas pela geometria do sol.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

4 mãos 2 pratos 1 taça #praqueviver

As indicações de pratos estão dadas à mesa, olorizadas pela taça à mão, abrem o apetite. “O prato é caro! Como se gasta por aqui!” O ambiente convida à longas horas de conversas, mas quanto mais se conversa, mais se come, mais se gasta. Estamos no COPA. Restaurante Savassiano, com apetitosos pratos espanhóis.
Aceita a indicação do famoso K(C)AOL – requintado pelo cogumelo – passamos a beber um gostoso vinho, trazendo a Espanha pra mais perto da mesa.
O papo foi crescendo e parece que o COPA almeja isso: propiciar um bom bate-papo, quem sabe tendo à mesa o lépido proprietário Ike: que fineza, que conversa, elegantemente preocupado, atento aos empregados, à comida, aos clientes, e à taça, ou melhor, ao vinho. O vinho rimava com a parede,
PIM!!! Os sinos dobram e a comida é servida. O risoto, ahhh, o risoto (lingüiça, cogumelo, tomate, ovo...). Cada sabor em consonância com o ambiente e com a trilha espanhola ao fundo, um convite ao prazer. O cheiro, o olhar, a cor! Forcei à experimentação: cogumelo, ovo frito gigante, e linguinça, muita lingüiça; enquanto o outro se esbaldava na pimenta vermelha. Bebíamos, falávamos, comíamos, gastávamos, gozávamos.
Findados os orgasmos (contidos, é bom que se diga) propiciados pelo prato, agora mais conversa, para decidir sobre a sobremesa. Vamos de tudo e revezar: Ambrosia e Bavaroise de Chocolate. Delícias regadas ao molho vermelho de laranja. Sublime!
Inebriados pelo sabor da Espanha Brasileira além do gosto, algumas certezas ficam:
1 – Pra hora do almoço: trilha sonora de “Vick Cristina Barcelona” (ótima);
2 – Adoramos mais o vermelho;
3 – O risoto do COPA faz muito bem.

Eis os prazeres daquele momento. O cheiro do dia, do prato, do ovo. O olhar no vinho, o olhar do dono, os entre-olhares a cada garfada. E a cor da parede, do vinho, da ambrosia. #praqueviver? Pra comer no COPA.






sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Gratidão...

Garrafa de água e uma conversa comum, com uma pessoa comum
Zunidos vem e vão do meu ouvido.
Meu corpo tem uma corrente elétrica
Pensamentos desejam algo que não provei.
Preciso de um quarto,
um banheiro,
uma cozinha, som, tv, e fotos.
Escritos nas paredes
Prateleiras com livros.
Uma cama, um sofá ou uma mesa.
Preciso de sexo com alguém que gosto
E depois dormir abraçada
Acordar com vontade tomar café.
E depois do café, mais sexo.
E quando essa pessoa for embora
arrumar a casa, limpar o chao....
tomar um banho...
e esperar!
Pessoas?
Estão aqui nesse momento.
Com medo e com desejos.
Esperando que alguem quebre o gelo
Porque se forem falar o que querem
vão tremer, vão suar, vão temer.
Por isso sou eu a dizer:
“- por que não vem aqui na minha casa?”

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

09/02/2011

Prus que se entendiam fácil, eis a solução: Meta, física e oração. Prus belos e prus feios, redenção.