Dia normal, sentimentos normais, batidas normais, acontecimentos corriqueiros...
O cair da tarde, visto da janela de um ônibus foi graciosamente estranho, talvez triste, sem necessariamente causar tristeza. Era como um daqueles dias que despertam o lado criativo das pessoas, daqueles em que escritores e compositores vêm à tona com a sua arte, puxados pela força da inspiração.
Era cinza, sem forma, sem calor, mas estava tudo tão fascinante, dividindo com uma simetria singular, a razão da insanidade; o escuro do claro; o doente do são. O claro era tão tangível, tão próximo, talvez pudesse tocá-lo com um simples estender das mãos, mas o conforto obsceno do cinza me fazia poupar o esforço.
Visivelmente era um dia comum. As pessoas estavam lá, mas não estavam vivas ou conscientes, estavam apenas encaixadas na paisagem, como engrenagens que garantem o funcionamento de uma máquina qualquer.
Emprestadas ao ambiente.
Coadjuvantes.
Não, isso não, pois essa descrição as torna ativas demais. Talvez descrevê-las como figurantes seja capaz de mostrar tamanha apatia que elas representavam. Mentes frias, corações vazios.
Talvez em outro momento isso fosse triste, agonizante, deprimente. Não hoje. Hoje, foi o oposto de tudo isso, sentimentos estranhos aflorados em um dia normal.
Engana-se quem disse que a monotonia nada tem de belo ou avassalador.
Registro aqui, 25/04/2011 talvez algum dia a sensação volte ao meu corpo, à minha mente e me faça lembrar.
Hugo Luz
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