[H]amontoadamente cidade é desenhada em meio aos morros e cores. Nesse lugar azul na parede, no céu e no mar, a vida nos convida: Ande! Sem ônibus, sem metrô, sem agências turística. Pelas ruas, pelas cores, entre cheiros e comidas. Ultimamente - já tendo voltado há muito -tenho teimado a subir e descer; meus pensamentos sobram e destilam muitas impressões, saudades e sabores; a cidade me capturou fiquei refém de suas cores, de seu mar, e de seus morros. Insisto ficar em frente à loja da chaleira vermelha e não
saio de lá. Não sei o que me leva até lá di-a-ri-a-men-te. Talvez a fuga, talvez o ímpeto. Aposto que são os sapatos vermelhos e azuis resgatando a memória da lua sobre o oceano ou os sapatos quentes-baratos. Às visitas aos brechós, ou à clara de ovo cozida na sopa. Os pelicanos dando um ar cada vez mais sujo e inevitavelmente mais distante de casa. Do luxo ao lixo, cores, casas, pinturas, esmaltes, figuras, hostelpatrícia e a falta de açúcar. Tudo junto em um só lugar que não se explica e qualquer descrição cometerá o erro de reduzi-lo às fotos de memória.

"Não sei dizer o que há em ti que fecha e abre
ResponderExcluirSó uma parte de mim compreende
Que a voz dos teus olhos
É mais profunda que todas as rosas
Ninguém, nem mesmo a chuva, tem mãos tão pequenas"
Lendo a postagem me veio à memória este trecho aí, do E. E. Cummings. A cidade tocou, com as mãos pequenas, nossos corpos e a poesia dentro deles. Não sei mesmo dizer o que há nela que nos abriu [e ainda, e creio que jamais, nos fecharemos]. A memória insiste em redesenhar aquela loja da chaleira vermelha, os sapatos com vermelho, as unhas vermelhas, as casas vermelhas e de outras cores.
Obrigado containeres alaranjados, obrigado andar por horas, procurar a rua de onde estávamos...obrigado Valpo.
Obrigado Containeres... muiiiiiito obrigado!!!
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